Conversa, do latim conversare. Antigamente significava conviver com alguém, mas hoje em dia, seu significado principal está em falar com alguém. Uma conversa entre duas ou mais pessoas, com palavras, frases, ideias e opiniões expostas em um, ou mais, sentidos. Iniciamos agora, dentro da RADIOLA Records, um novo portal com conversas diretas aos DJ’s locais/nacionais, que representam com muita destreza o nosso país nas pistas do Brasil e do mundo. 

O primeiro convidado da Talk to Lara é Thariel, residente da Laguna Musicartista do casting da QG Agency e produtor com estúdio fixado no coworking da RADIOLA, para trocar uma ideia sobre suas expectativas na cena underground. O DJ tem tido muito destaque nesse ano, onde já dividiu a cabine com grandes nomes como:  Sidney Charles, Patrick ToppingArchie Hamilton, Marco FaraoneSabbTomy Wahl, Rodrigo DP, entre outros.  

Ei! Não pare de ler aqui não, continua a leitura pois ele me contou muitos planos para 2019! 

 

1 – Oi Thariel, tudo bem? Muito obrigado por disponibilizar um tempo para nós termos essa conversa! Então vamos lá, o que você acha da fase que a cena eletrônica curitibana está vivendo nos dias de hoje? 

Olá Lara e todos os leitores dessa coluna, para mim é uma honra ser o primeiro a participar desse bate papo contigo. Bom, a cena eletrônica atual está vivenciando um tempo difícil em relação a alguns anos atrás, temos a alta do dólar que tem prejudicado e muito a vinda de artistas internacionais para o Brasil, e enxugado bastante a sua participação em grandes line ups, mas por outro lado o artista nacional está sendo muito valorizado, tendo diversas festas cheias com line up nacional e muitas vezes também local. Percebo essa fase como algo que pode mostrar muito a nossa força como brasileiros dentro da música eletrônica. Vejo diversos núcleos e gravadoras independentes surgindo, crescendo dentro do cenário nacional, levando seus residentes e colaboradores para o mesmo caminho. Para mim o momento agora é de “mostrar serviço” aqui no Brasil, e acreditar no trabalho que está sendo realizado por núcleos/festas/gravadoras nacionais independentes, que na minha opinião estão mudando a maneira do brasileiro consumir música eletrônica.  

2 - Você possui seu estúdio sediado no coworking da RADIOLA Records, juntamente com outros DJ’s da cidade. Como é a vivência na casa e produzir ao lado de diferentes artistas e amigos? 

A vivência é extremamente rica se tratando de música e referências. Ali dentro da casa eu consegui conhecer alguns artistas que eu só acompanhava de longe e entender a rotina deles, isso acrescentou muito na minha forma de entender o dia a dia dos djs e produtores, e melhorar algumas coisas que talvez eu estivesse pecando um pouco. Fora isso houve também um grande amadurecimento dentro da produção musical. Tive uma evolução imensa nesse 1 ano que estou na casa, pois o ambiente, as pessoas, o clima, as dicas trocadas, as aulas, as visitas no estúdio do amigo e as próprias festas que a casa proporciona refletem dentro das minhas produções hoje. Também não poderia deixar de mencionar o fato de que agora saio de casa todos os dias com intenção de produzir música, produzir em casa é ótimo também, mas para o meu tipo de rotina, ter o estúdio fora da minha residência ajuda muito no meu “workflow”.  

3 – Em 2018 você teve um grande destaque profissionalmente, tocando em diversos locais como Club Vibe, Usina 5, Chakra Club, RADIOLA Records, Inbox Club e o festival internacional: EOL Festival. No último mês do ano, você vai para Londres, tocar no Union Club. Como está sendo esse momento para você, sabendo que é a primeira vez tocando fora do país?  

Realmente 2018 foi um ano bom. Tive oportunidade de tocar em alguns clubes e festas que sempre quis, e peguei uma pista com 3 mil pessoas na Usina 5 na festa do Club Vibe em julho, que realmente está marcado na minha memória. Londres foi algo muito inesperado, eu nunca viajei para Europa, então é um mix de ansiedade e felicidade. Penso muito em levar algumas músicas de brasileiros que estão fazendo um bom trabalho, para mostrar a nossa força lá fora e “representar” a camisa. Confesso que o nervosismo já começou a bater, mas tenho certeza que apresentando um set coerente e interessante vou conseguir levar os “londrinos” no groove de Curitiba, afinal de contas “good music is always good music”. 

4 - Você é um dos fundadores da Laguna Music, que está há 4 anos trabalhando com sunsets, festas noturnas, livestreams, e recentemente com releases através da gravadora, a Laguna Records. Como foi o início desse projeto? Você imaginou que chegariam tão rapidamente onde estão hoje? 

Bom, o projeto começou sem nenhuma expectativa, como na maioria dos núcleos independentes, nós começamos através de uma festa onde os dois sócios que me acompanham hoje, Alberto Petri e Rafael Bado, se juntaram com mais um administrador, e fizeram um evento que tinha como principal atrativo a possibilidade do frequentador trazer sua própria bebida, na época fui convidado para tocar na primeira festa e logo em seguida fui chamado para ocupar uma residência no evento, após isso tivemos um flerte rápido com um club chamado Zeitgeist, onde começaram a ocorrer os eventos da Laguna. Com o Zeitgeist fechando as portas, aconteceu o convite do Club Vibe para que as noites da Laguna acontecessem lá. Na Vibe foram várias datas, todas com artistas internacionais e grandes referências para mim, que por ser residente tive a oportunidade de dividir a cabine com alguns. Já nessa época surgiu a ideia da Laguna Records, pois estávamos criando uma identidade sonora dentro da festa e queríamos materializar isso em uma gravadora, nesse momento eu, junto com o Alberto (PETRI) e o Rafael Bado fundamos a gravadora. Realmente nós nunca almejávamos nada com a label, apenas lançar a música em que acreditávamos e com um pouco de sorte fazer esse som chegar ao máximo de pessoas possíveis. Hoje em dia, já tivemos a oportunidade de lançar 12 EP’s, com artistas nacionais e internacionais, e tivemos também alguns suportes memoráveis de artistas grandes lá de fora. 

5 – Quem acompanha suas redes sociais sabe que você está bem focado em sua carreira como DJ. O que podemos esperar do Thariel para 2019? 

Bom Lara, para 2019 vou ter alguns lançamentos importantes já no começo do ano, tem duas faixas minhas que vão ser lançadas pela RADIOLA Records, que eu tenho um carinho imenso. Fora isso, já temos algumas datas legais pela frente com a turnê da Laguna, que já conta com 4 cidades confirmadas. O meu retorno para uma festa da RADIOLA, que acontece em março, e uma nova série de podcasts que eu começarei a lançar dentro do meu soundcloud a partir de janeiro. Também vai ter muito trabalho no estúdio, 2018 foi o ano em que eu mais produzi, mas em 2019 quero no mínimo dobrar a meta, então vai ter muita track nova saindo durante o ano.    

6 – E para finalizar, a pergunta da Lara: Defina em uma palavra como é o Thariel em ação. 

Uma palavra é díficil hahaha. Vou deixar aqui 3 palavras: único, imprevisível e agressivo. É assim que eu tento levar sempre meus DJ sets, trazendo referências que nem sempre são exploradas na música eletrônica, e que carregam as várias facetas da minha personalidade. A respeito do agressivo... bom, gosto de sempre ir além dentro dos sets e empurrar as pessoas para algo que elas ainda não conhecem, mostrando coisas que elas veem de uma outra perspectiva, seja em um warm up ou em um closing set, eu gosto de entreter as pessoas com o meu som, de despertar sensações e mostrar que nem sempre o diferente é sinônimo de algo destoante. Lara, muito obrigado pelo seu tempo e o de todos que estão lendo essa entrevista, me sinto muito realizado em poder compartilhar um pouco da minha caminhada dentro da música eletrônica através de uma gravadora que sempre me recebeu bem e me deu oportunidades incríveis. Até uma próxima! 

Obrigado Thariel por esse bate papo super entusiasmante, nós amamos! Logo teremos outras conversas por aqui, aguardem. E não esqueçam de acompanhar as nossas redes sociais: 

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Beijinhos, Lara Radiola.