Horas dentro do estúdio, produção musical, preparação técnica e psicológica. A busca por atualização da case. Nervosismo minutos antes de assumir a cabine. Alívio e sensação de dever cumprido pós apresentação. Representatividade e autenticidade.

Essas são apenas algumas das diversas situações cotidianas na vida de um DJ. Todos os dias, a busca pelo reconhecimento e identidade musical deve ser incessante, afinal, ainda é uma profissão pouco valorizada no mundo e principalmente em nosso país.

Desde 2002, a UNESCO estabeleceu que dia 9 de março seria o dia do DJ, não apenas para representar um dia de profissão qualquer, mas o propósito era arrecadar fundos para caridade. Criado pela World DJ Fund, todos os lucros com eventos realizados no dia (principalmente o cachê dos artistas) eram revertidos para pessoas doentes que utilizam a música como tratamento. 

Para comemorar esse dia tão especial, conversamos com Albuquerque que contou um pouco sobre sua experiência como artista, dificuldades, e mais.

"Selecionar músicas para determinadas ocasiões sempre foi algo rotineiro pra mim. Desde a época de gravar do vinil pra fita k7, ou esperar tocar aquela música na rádio e capturar para poder ouvir várias vezes depois. A música sempre me trouxe um prazer enorme e através de experiências que vivi acabei chegando aos CDJ's em 2008, mas isso apenas depois de ter passado por bandas, ensaios, bateria de torcida e incontáveis horas de fone de ouvido com o volume no talo. Consegui criar uma identidade musical, o que levou um certo tempo. Não digo isso pela ótica do público, mas pela ótica do próprio artista. Em cada apresentação se aprende um pouco mais sobre si.

Diferentes cidades, culturas distintas, situações favoráveis e outrora adversas. Assim eu comecei a perceber com mais clareza o que é ser DJ de verdade. Em 2018, já com 10 anos de carreira, eu lancei o meu primeiro álbum chamado ‘’BORGMAN’’, pela RADIOLA Records, selo que fundei com Haustuff em 2011. Esse codinome foi criado para ocupar um espaço criativo em minha carreira. Algumas obras, sendo elas musicais ou não, irei continuar lançando com essa alcunha, sempre que achá-las "fora da curva". Isso me permite expandir minhas linhas criativas, o que me deixa bastante feliz. Essa é uma das partes mais difíceis na carreira de um DJ. Permitir-se estar sempre criativo, motivado, buscando algo diferente, surpreendendo o público e fugir da sua zona de conforto. Especialmente depois de um tempo rodando as cabines e entrando em uma rotina, é muito fácil se acomodar, mas é aí que o DJ precisa se renovar, viajando, buscando inspirações, energias e algo que o mantenha vivo musicalmente. 

Momentos incríveis que vivi ainda servem de inspiração pra mim. Posso citar alguns que claramente me recordo. Tive o prazer de me apresentar por quatro vezes no BPM Festival. Duas no México e duas em Portugal. Todas foram sensacionais, mas a melhor foi em 2017 em Portimão. Eu fiz um b2b inesperado com o Chaim, artista israelense de quem era muito fã naquele momento. Logo depois que terminamos o set eu conheci minha esposa, o que tornou essa memória ainda mais especial. Foi um dia inesquecível e sabe quem me proporcionou isso? A música, lógico. 

Através dela conheci meus melhores amigos e assim espero que continue. As dificuldades inevitavelmente irão acontecer, as vezes você volta pra casa triste, nem sempre se tem uma noite nota 10. Às vezes é 6, 5… Mas até isso pode servir de inspiração. Sabe aquela frase "músicas tristes me fazem feliz"? Se você realmente sentir que ama transmitir boas vibrações para uma pista de dança e que você daria tudo que tem pra tornar isso realidade, siga buscando seu sonho de ser DJ. Trabalhe muito, seja dedicado, perspicaz, eficiente, profissional e principalmente humilde em seus relacionamentos. Um DJ sozinho não vai a lugar nenhum. Lembre que você escolhe as músicas mas quem escolhe o DJ é a pista. Feliz dia do DJ!"